A minha mais recente leitura foi o livro "O Último dos Nossos" da autora Adélaïde de Clermont-Tonnerre, com o apoio do Clube do Autor que fez a gentileza de enviar-me um exemplar, uma leitura que traz uma história ambientada nos anos 40 durante a Segunda Guerra Mundial e os anos 60/70. Uma leitura completamente surpreendente.
Título em Portugal: O Último dos Nossos
Título Original: Le Dernier des nôtres
Autor(a): Adélaïde de Clermont-Tonnerre
Nº de Páginas: 412
Lançamento: 25/10/2017
Editora: Clube do Autor
Sinopse:
Do inferno da Europa, em 1945, à Nova Iorque hippie. Neste romance premiado com o Grande Prémio do romance da Academia Francesa, Adelaide de Clermont-Tonnerre conta a história dos anos loucos vividos na pele por dois genuínos filhos do século XX: Werner Zilch, nascido na Alemanha no estertor da Segunda Guerra Mundial, e Rebecca Lynch, herdeira de um homem de negócios e de uma mulher que logrou escapar com vida ao campo de concentração de Auschwitz. Uma paixão louca e proibida num cenário histórico repleto de reviravoltas e marcado pelo suspense.
Werner Zilch é um jovem carismático e empreendedor. Adoptado desde tenra idade, vê-se confrontado com a descoberta das suas origens, tudo menos gloriosas. Aos olhos dos outros, pode ser considerado responsável pelos erros cometidos pelos seus antepassados? Como aceitar que o seu progenitor estivesse ligado ao nazismo?
A par das personagens, surgem nomes que os leitores por certo reconhecerão, todos eles figuras marcantes do seu tempo. A saber: Andy Warhol, Truman Capote, Tom Wolfe, Joan Baez, Patti Smith, Bob Dylan...
Uma complexa história de amor que é, ao mesmo tempo, um capítulo ficcionado da nossa História. O leitor não conseguirá pousar o livro enquanto não descobrir quem é, na verdade, «o último dos nossos». No fim, fica a pergunta: estaremos condenados a responder pelos crimes e pelo sofrimento dos nossos pais e avós?
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Na actualidade, ambientada nos Estados Unidos em plenos anos 60 a história é nos contada na primeira pessoa por Werner, que relata o quão é amado pelos seus pais adoptivos, o quão adora a sua irmã Lauren, o seu negócio com o seu parceiro e amigo Marcus com quem divide casa e Rebecca, uma mulher que ele acabou de conhecer e já se apaixonou perdidamente, uma paixão intensa e avassaladora.
Mas para conhecermos quem Werner é na actualidade, temos que conhecer o seu passado, a sua origem e é aí que a autora nos narra a sua história, o amor dos pais biológicos, Luísa e Johan, nos anos 40, na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, a sua tia Marthe, o seu tio Kasper, todos enfrentaram as atrocidades do holocausto, mas nem todos do mesmo lado.
É uma leitura bastante difícil de digerir, pelo menos para mim porque o holocausto é talvez dos assuntos que mais me revoltam, transtornam, tive que parar várias vezes a leitura, só para cerrar os dentes e deixar as lágrimas rolarem, por isso se tornou um pouco mais lenta.
"- Ele chama-se Werner. Werner Zilch. Não lhe mudem o nome. É o último dos nossos."
- pág. 28
Pensamos que conhecemos todas as história de um dos períodos mais negros que a Europa se deve envergonhar, mas ao longo dos anos é nos acrescentado mais histórias, escabrosas, perturbadoras e neste livro, traz ao de cima o que acontecia às jovens virgens que acabavam nos campos de concentração, foi duro de ler, não nego, mas eu sou da opinião que precisamos ser lembrados sempre do que aconteceu, para que nunca mais volte a acontecer.
A relação com Rebecca é quase doentia, chega por momentos a irritar o leitor, mas aos poucos vamos percebendo o porquê, a razão da atracção fatal, desconcertante, intensa, devastadora, que tanto atrai como repele... É essa relação que acaba por trazer ao de cima todos os segredos e há uma razão, tão válida e tão forte que faz o passado bater à porta do presente e é quase como obrigatório fazer as pazes com o passado, para conseguir ser-se feliz no presente e futuro. Mas há dores e cicatrizes tão grandes que podem fazer com que esse amor seja completamente incompatível.
Um livro que está cheio de reviravoltas, de twists, coisas inesperadas a acontecer, mas que no fim fazem todas muito sentido.
Gostei bastante desta leitura, acho bastante interessante como uma autora consegue criar um protagonista masculino tão forte, tão rico, uma personagem carismática, complexa. Foi uma leitura surpreendente, não estava à espera de gostar tanto.
Os capítulos são relativamente pequenos e sempre assinalados com a data e local para não nos sentirmos perdidos e o final, apesar de um bocadinho corrido, foi um bom final.
Outro aspecto interessante no livro é que no ambiente dos anos 60/70 podemos encontrar várias referências da cultura pop na área da música, da moda, da escrita, da política, como Jim Morrison, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Beatles, Andy Warhol, Truman Capote, etc... Assim como produtos muito conhecidos por nós, deu aquele feeling de vintage, fez-me lembrar os anúncios antigos da Coca-cola, dos detergentes e afins.
Boas leituras! =)



























